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UMA NO CRAVO, OUTRA NA FERRADURA
por Médico Veterinário Benedito Fortes de Arruda
 
O mundo clama por posições enérgicas dos governantes para salvaguardar o futuro do planeta. O Protocolo de Kyoto, efetivamente não trouxe resultados positivos significativos. Mas todos, indistintamente, pregam a necessidade de se estabelecer uma nova ordem mundial a fim de que seja estabelecido um modelo moderno de desenvolvimento global, sob pena de sermos partícipes de catástrofes ambiental e humana sem precedentes.

A primeira etapa do Protocolo de Kyoto fecha em 2012 e o controle das emissões de gases-estufa não avança adequadamente. Não podemos nem pensar em caminhar a passos largos. O Brasil vem se recusando a estabelecer metas pós-Kyoto no sentido de promover reduções no desmatamento que, juntamente com as queimadas responde por 75% das emissões nacionais.

Os cientistas entendem que, se os países em desenvolvimento como o Brasil, China e Índia não aceitarem metas de redução será impossível limitar a 2º C o aumento médio de temperatura em relação ao período pré-industrial. Ainda que o governo tenha acenado com uma redução na área desmatada no Brasil, a nossa convicção fica abalada quando sabemos que o Estado de Mato Grosso tem sido nos últimos anos o campeão de desmatamento, com gravíssimas conseqüências ambientais.

A vida deixou de ser preocupação, enquanto a vida saudável dá seus últimos estertores. Tudo em nome da economia, da produção a qualquer custo. O governo brasileiro tem desenvolvido nos últimos anos um trabalho de magnitude considerável quanto à fiscalização.

Em pleno século 21, a globalização invade não mais as regiões, mas todos os lares. Promove alterações bruscas no comportamento das pessoas, na cultura e na educação. Assistimos pela mídia o desbaratamento de propriedades rurais que se utilizam do trabalho escravo, sem dizer que muitas vezes a mão de obra explorada é a da criança. Identificou-se, no passado recente, que tais abusos também são cometidos em propriedades de políticos e empresários nacionalmente conhecidos.

Não é só irônica, mas igualmente trágica a suspensão da fiscalização sobre trabalho escravo anunciada pelo governo federal. A paralisação se deve essencialmente em virtude de ação de senadores que se posicionaram contra a autuação de uma fazenda localizada no Pará. Ora, se houve abuso por parte dos fiscais deve-se apurar e depois aplicar a punição que o caso requer. Interromper a fiscalização equivale a deixar que assassinos ajam impunemente. Mas, afinal, a decisão é dos senadores e a lei, que se dane.

A recente proposta do governo brasileiro no sentido de estabelecer condições verdadeiras para se implementar a infra-estrutura de abastecimento de água e saneamento básico coloca em evidência uma necessidade – aliás mais que uma necessidade um direito – das populações das cidades que sempre estiveram à margem de condições mínimas de sobrevivência. Tem sido, ao longo dos anos, o tema mais interessante aos governantes o asfaltamento das ruas, ficando água e esgoto para o futuro. Futuro este incerto e não sabido.

A proposta é: que se dane a população, o que nos garante a eleição e reeleição é tudo aquilo que está à vista da população, aquilo que é possível ver com os olhos. Afinal de contas, asfalto significa adeus à poeira. Aquilo que está embaixo da terra ninguém vê e muito menos se lembra. Há muito tempo todos sabemos que a falta de água e de tratamento de esgoto tem sido causa de alto índice de mortalidade, principalmente infantil.

A população da periferia e das cidades em que a educação sanitária é deficiente ou inexiste tem sido vítima da ineficiência consciente dos políticos brasileiros, e aqui, de vereador a Presidente da República quase que 100% são (ir)responsáveis. Com esta posição política do Presidente da República, os aplausos lhe são merecedores. Que esta decisão se transforme em política de todos os governos (municipais, estaduais e federal). Os brasileiros conhecedores do presente e comprometidos com o futuro agradecem.